Um doador de órgãos foi homenageado por familiares, amigos e profissionais do Hospital Geral de Palmas (HGP) neste domingo, 15, durante a primeira captação de 2026 realizada na unidade. A ação possibilitou a captação de rins, córneas e fígado e mobilizou uma equipe de captação de órgãos de Minas Gerais (MG), composta por médicos e enfermeiros, que se deslocaram até a Capital para o procedimento. Ao todo, cinco pessoas serão beneficiadas com os órgãos.
Durante o procedimento, um corredor foi formado como forma de despedida do doador Alex de Albuquerque Silva, de 33 anos. O homem foi conduzido pelo corredor enquanto familiares e amigos cantavam louvores ao lado do leito antes de ele ser levado ao centro cirúrgico. Alex foi acolhido no HGP no dia 3 de março, após ser vítima de um acidente de trânsito. Na sexta-feira, 13, teve a morte encefálica confirmada pela equipe médica.
A irmã do doador, Alexandra da Silva Costa, destacou que o irmão sempre expressou o desejo de ser doador de órgãos e que a família decidiu respeitar e cumprir sua vontade. “Alex sempre foi uma pessoa que se doou ao próximo. Quando veio a confirmação da morte cerebral, a primeira coisa que sentimos no nosso coração foi fazer a doação dos órgãos, porque sabíamos que ele iria se alegrar com esse ato. Estamos felizes porque agora sabemos que o Alex vai viver por meio de outras vidas e que o propósito dele aqui na Terra terá continuidade, não se encerrou com a sua partida.”
Alexandra também reforçou a importância da conscientização sobre a doação. “Ainda existe um tabu na sociedade sobre a doação de órgãos, enquanto muitas pessoas aguardam por um transplante. Esse preconceito precisa ser quebrado para que todos entendam que um doador pode salvar até oito vidas que estão há anos na fila de espera. Isso traz um novo significado para a morte, para a dor e para o luto.”
Acolhimento
No HGP, as famílias são acolhidas pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que conduz o diálogo sobre a possibilidade de doação de forma sensível e humanizada. Entre os principais órgãos e tecidos captados na unidade estão fígado, rins e córneas, além de coração e pâncreas.
A enfermeira Junya Rafaela, da equipe da CIHDOTT do HGP, ressaltou que a decisão da família, tomada em um momento de grande fragilidade, representa esperança para pacientes que aguardam na fila por um transplante.
“Como equipe da CIHDOTT, seguimos todo o protocolo necessário com muito respeito, ética e responsabilidade. No entanto, nada disso seria possível sem a decisão da família, que, mesmo em meio à dor, escolheu transformar a despedida em um gesto de generosidade e esperança para outras vidas. Gostaria também de reconhecer a Alexandra, irmã do doador, que, mesmo diante de uma decisão tão difícil, se manteve firme e consciente da importância desse gesto”, destacou.
Segundo a coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Tocantins (CETTO), Tatiana Oliveira, a doação de órgãos é um processo que exige sensibilidade, responsabilidade e integração entre diferentes equipes de saúde.
“A doação de órgãos envolve um trabalho altamente integrado entre diversas equipes. Cada etapa exige organização, preparo técnico e, sobretudo, muito respeito com todos os envolvidos. Nosso reconhecimento também vai para as famílias que, mesmo em um momento de dor, encontram força para autorizar a doação e contribuir para que outras vidas sejam beneficiadas. Esse gesto, aliado ao trabalho comprometido dos profissionais, torna possível que o sistema de transplantes cumpra seu papel de levar esperança a quem aguarda por um transplante.”
Reconhecido pelo importante trabalho na captação de órgãos, o Hospital Geral de Palmas tem se consolidado como uma unidade estratégica para o Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Em 2025, cinco famílias autorizaram a doação de órgãos de seus entes queridos na unidade, possibilitando a captação de múltiplos órgãos e contribuindo para salvar outras vidas.
Fonte: Comunicação da SES-TO
