O Governo do Tocantins apresentou à comitiva da United World Colleges (UWC) a proposta para sediar o UWC Amazônia Brasil, em Luzimangues, distrito de Porto Nacional. O encontro ocorreu nesta terça-feira, 3, no Palácio Araguaia, em Palmas. O Estado está entre os três finalistas, ao lado de Amapá e Rondônia, na disputa pela primeira unidade da rede na América do Sul.
Segundo o governo estadual, a área apresentada pelo Tocantins poderia se tornar a 19ª unidade da UWC no mundo, que hoje tem 18 colégios.
O que é o projeto
Criado em 1962, no País de Gales, a partir das ideias do educador Kurt Hahn, o movimento combina formação acadêmica, intercâmbio cultural e serviço comunitário. No Brasil, a proposta é integrar a formação internacional aos conhecimentos dos povos originários, à biodiversidade amazônica e aos desafios das mudanças climáticas.
O projeto prevê um câmpus residencial com capacidade para 215 estudantes, distribuídos em duas turmas do programa de Bacharelado Internacional e uma etapa preparatória. A estimativa global é de US$ 240 milhões, considerando implantação e manutenção de longo prazo.
A representante da UWC Brasil, Inês Kavamura, afirmou que a rede busca reunir a maior diversidade possível de jovens. "Por isso, oferecemos bolsas parciais em todos os níveis", disse.
Condições apresentadas pelo Tocantins
Na reunião, o governador Wanderlei Barbosa defendeu a candidatura do Estado e destacou que o Tocantins foi pré-selecionado por atender aos pré-requisitos do projeto.
"Somos o estado mais novo da Federação e estamos no centro do Brasil. Fomos pré-selecionados, porque atendemos aos pré-requisitos e colocamos todos os setores do Governo à disposição, como segurança, educação e saúde."
A declaração foi dada pelo governador durante a reunião. Wanderlei Barbosa também citou investimentos em infraestrutura, descentralização dos serviços de saúde e ampliação da rede hospitalar.
Segundo o governo, a proximidade com Palmas e a disponibilidade de serviços de saúde, segurança, educação e transporte estão entre as condições oferecidas. O comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, coronel Cláudio Thomaz Coêlho de Souza, e o secretário da Segurança Pública, Luciano Barbosa de Souza Cruz, apresentaram a estrutura policial da região. O secretário da Saúde, Carlos Felinto, tratou da rede de atendimento.
O governador sugeriu à comitiva conhecer as ações da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot) e dos órgãos ambientais, que poderão contribuir com o serviço comunitário da instituição. O Estado integra a Amazônia Legal e tem áreas de transição entre Cerrado e Amazônia, como o Parque Estadual do Cantão.
Disputa entre os estados e próximos passos
A secretária-executiva do Consórcio Amazônia Legal, Vanessa Duarte, informou que seis estados participaram de uma etapa da seleção e três avançaram por atenderem aos requisitos. Segundo ela, a atuação em bloco permite ir além do que cada estado faria sozinho. "Independentemente de onde a escola for construída, todos os estados serão beneficiados", declarou.
A programação segue com visitas às estruturas de segurança pública e à área proposta em Luzimangues. Na quarta-feira, 4, a comitiva conhecerá as obras do Hospital da Mulher, unidades de ensino e estabelecimentos comerciais. A definição da sede está prevista para a segunda quinzena de novembro, em articulação com a UWC International.
Participaram do encontro o gerente do projeto, Francisco Felinto, o diretor-executivo do Consórcio Amazônia Legal, João Vilela, e o prefeito de Porto Nacional, Ronivon Maciel Gama, além de representantes da Prefeitura de Palmas.
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