O Tocantins ultrapassou a marca de R$ 13 bilhões em exportações entre janeiro e setembro de 2026, registrando crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pela Federação das Indústrias do Tocantins (Fieto).
No mesmo período, as importações do estado passaram de R$ 1,5 bilhão, alta de 17,9%. Os valores em reais consideram a cotação do dólar registrada na sexta-feira (23).
A soja continua sendo o principal produto vendido pelo Tocantins ao mercado internacional, respondendo por 56,6% das exportações. A carne bovina aparece em seguida, com 16,6%. Juntos, os dois produtos representam 73,2% das vendas externas do estado.
China é principal destino
A China concentra mais da metade das exportações tocantinenses e permanece como o principal mercado para os produtos do estado.
O país asiático também aparece como principal fornecedor das importações do Tocantins, com participação de 21,4%. Estados Unidos, Canadá, Turcomenistão e Venezuela completam a lista dos principais fornecedores citados no levantamento.
Segundo Thiago Amorim, diretor de pecuária da Motta Agropecuária, a produção de carne bovina no estado acompanha as exigências do mercado internacional, especialmente as do mercado chinês.
O Tocantins ocupa ainda a nona posição no ranking nacional de produção de carne bovina, conforme dados do IBGE citados no levantamento.
Amorim defende que o estado amplie o processamento da produção dentro do próprio território, em vez de enviar animais vivos para outras regiões. A avaliação é de que a industrialização poderia agregar valor à carne exportada e fortalecer a cadeia produtiva.
Soja enfrenta desafios
Apesar da forte participação nas exportações, o setor da soja enfrenta desafios relacionados ao clima e à logística.
O vice-presidente da Aprosoja-TO, Thiago Facco, afirmou que a área plantada no Tocantins tem crescido acima da média nacional nos últimos anos. Para 2026, porém, a expansão pode ser menor diante dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.
A logística também é apontada como um obstáculo. Como o Tocantins não possui portos marítimos próprios, parte da produção precisa percorrer longas distâncias até os terminais utilizados para exportação.
De acordo com Facco, essa distância pode reduzir a competitividade da soja tocantinense em comparação com a produção de estados como Maranhão e Piauí.
Mesmo diante das dificuldades, a demanda internacional, principalmente dos mercados asiáticos, continua sendo considerada importante para os produtores.
Porto Nacional lidera vendas externas
Entre os municípios tocantinenses, Porto Nacional aparece na liderança das exportações, com 20,93% do total estadual e mais de R$ 2,5 bilhões em vendas para outros países.
Na sequência aparecem Santa Rosa do Tocantins, Almas, Campos Lindos e Araguaína.
Palmas ocupa a sexta posição entre os municípios exportadores, com mais de R$ 821 milhões em vendas externas, equivalentes a 6,62% do total do estado.
Já nas importações, a capital lidera com 29,77% do valor movimentado pelo Tocantins. Palmeirante aparece em segundo lugar, seguido por Miranorte, Lagoa da Confusão e Gurupi.
No ranking nacional, o Tocantins ocupa a 15ª posição entre os estados exportadores e a 22ª em importações. Na região Norte, o estado é o terceiro maior exportador, atrás de Pará e Rondônia.
Fonte: Jornal Sou de Palmas
